fevereiro 27, 2012

Ama teu próximo, como eu.



Numa manhã qualquer, um garoto meio barrigudo e moreno, queimado de sol, vem com cheirinho de pão. A cesta, cheirando a suor, traz a dor do trabalho diário. A entrega do pão, um favor aos pais, rouba-lhe a infância ao passo que lhe dignifica enquanto homem. Um adulto pueril de sete anos. Aquela manhã, com jeito de cotidiano, disse-me ao ouvido algumas verdades, e procurei não deixá-las ir com o crepúsculo. O menino amigo meu, amigo de todos, amigo do trabalho principalmente, era amado pelos pais.

Tudo bem que o Pai abandonou-lhe pelo alcoolismo, mas lhe restou a mãe a pespegar-lhe asneiras mescladas com amor. E cresceu nosso matutino menino. Cresceu tendo visto um mundo que jamais conheci, e por isso o amo enquanto igual. Igualmente diferentes, observamos o mundo através de prismas distintos. Fomos criados assim, como dizia um docente, e não HÁ como mudar-nos o juízo. A mãe, abandonada pelo alcoolismo e pela concupiscência do marido, escolhe servir a deus. Servir-lhe de lavagem de roupa, servir-lhe de comida caseira. Servir-lhe de todas as coisas possíveis, contando que servisse bem ao Senhor.

Ensinou o filho a servir igualmente, primeiro o pão, depois o povão. Era um servo de deus, nosso menino matutino. Ferrenho e fervoroso, um leão de tribo de Judá, nosso servidor vai servindo. Serve de riso para uns, de juiz para outros. Ele é aquele que mede o tamanho da saia e exige zelo à instituição virgindade. Seu martelo é judicioso, seu conhecimento bíblico fantástico. Diz nosso menino matutino: “de um questionário contendo 900 questões sobre a Bíblia, escolha quatro a esmo e acertarei (e acerta mesmo!)”. Um verdadeiro Dr. das Leis. e deus fala pelos lábios deste neopentecostal.

Todas as noites do nosso cotidiano, lá estão eles falando. Falando de coisas medievais, confabulando jihads, em todos os dias do nosso cotidiano. Eles estão aqui ou no Afeganistão, vendo soldados americanos, ou servindo pães. Ah, o cotidiano, amigo inseparável da rotina. A rotina de ver cadáveres e pães. A rotina de sol a pino, seja aqui como lá. O que significa a COP15, a conferência da inércia, frente a este COTIDIANO. E, mesmo assim, o que se vê nos jornais, nas revistas? A mente humana cria juízes todos os dias, advindos da consciência. A realidade, esta professora, transmuta-os em “meninos-matutinos”, ou “homens-bomba”.

É quando estes “recados” do cotidiano chegam a nós, que lembramos que eles aconteceram, que estavam lá todos os dias e nós não enxergamos. Daí percebemos atônitos que na verdade não ligamos para o dia-a-dia da nossa própria existência. Esquecemos o Collor roubando, enchendo as burras junto ao PC Farias, que acabou sendo assassinado pela verdade. Num lapso, os acontecimentos do painel desapareceram, e elegemos Arruda. Quando vejo uma rã, tenho vontade de chorar, pois lembro de vossa excelência lá no senado com meu dinheiro.Todos os dias isto acontece, mas é a história que julga, por isso a inventamos, o juiz dos juízes.

O historiador, o juiz do passado, por meio de sua visão, dá veracidade aos fatos (vide Marcos Vinícius e o endeusamento ptista, ou a Partilha da África). E enquanto palestinos e israelenses continuam a se matar, nós dizemos que foram suas realidades que engendraram isto. Todas as manhãs, palestinos eram humilhados por judeus que, num sentimento de puro revanchismo, descontavam nos mais fracos o desprezo ocidental (lembrem-se que a Europa tentou  jogá-los na ARGENTINA!!!). Aí o historiador diz: meu povo, olhe para as manhãs destes meninos, no que vocês achavam que isso iria resultar? Em minha singela opinião, geralmente dá em estatística. Tantos por cento, crime. Tantos por cento, culto religioso fundamentalista mais próximo. Tantos por cento, estudo parco e emprego público. Tanto por cento, morte e desaparecimento (nos camburões da vida). Tantos por cento... bom, tantos por cento nos tantos por cento que mesmo um historiador não pode prever.

Pensei em terminar aí o texto, pois todo autor conhece quando o ponto final surgiu. É seu arremate, seu final. Mas desta vez eu perorei sem escrever o que me motivou a narrar esta história. Tive medo, talvez, pois ninguém gosta da verdade. A dúvida do corno realmente é: saber se quer saber. Eu comecei a escrever sobre este grande amigo, um homem que muito estimo, pois acho que suas manhãs já foram escritas há muito tempo, num aforismo nietzcheano.

Em crepúsculo dos Ídolos, Nietzsche, pontuou: ama a ti mesmo - então todos te amarão. Princípio do amor ao próximo. Segundo Nietzsche, a compaixão nada mais é do que hipocrisia. Dawkins, por sua vez, afirma que a compaixão é puro egoísmo travestido. Nietzsche, filósofo, diz o que ela é para nós. Biologicamente é casual, cotidiana, como o macaco que tira os piolhos dos outros para que tirem os seus e não por compaixão do imundo (acho que o inventor do hábito era o mais piolhento, inclusive). Filosoficamente, é inerente a tudo que é humano. O desejo de poder e potência, ou egoísmo, é tudo; de resto, temos as manifestações deste cotidiano na vida, como por exemplo a compaixão.

Em seu aforismo, Nietzsche, peremptório, diz nas entrelinhas: “igrejas são reuniões de massas para enriquecimento de poucos. Ou seja, o “amor ao próximo” é intrínseco ao “amor a si”, pois quem fica rico são os “líderes” (ou guias, reis magos, etc.). O povão fica mesmo é trabalhando (não que eu seja socialista, LONGE disso), seja na Idade Média, Moderna ou Contemporânea (não que eu seja contra, em absoluto). Queria que o epílogo deste ensaio fosse iniciado no ano 5042. Se Nietzsche  e cia. estiverem corretos, como racionalmente creio, uma outra história poderá já fazer parte da História.

“O homem conquista a via-láctea (“pegar carona esta cauda de cometa”...), a fronteira inicial”. O “conquistador” da via-láctea, certamente um dedicado terráqueo de uma manhã qualquer, verá seu nome escrito para sempre nas páginas dos livros acadêmicos. E é aí que o filósofo entraria, pois mesmo olhando para tais feitos, como um casmurro resmungaria: “mas quem é este homem? É bom? Deve ser lembrado deveras? Eu chamaria este cosmonauta de “o mais curioso homem dentre os viventes que saciou nossa curiosidade”. Mas ele usou nossa engenhosidade para matar a sua curiosidade. Tivemos sorte de serem ânsias análogas.

Isso, embora não demonstre o que geralmente ocorre, é um exemplo de egoísmo simbiótico, ou o bom e velho “uma mão lava a outra”. Entretanto, quando o único objetivo é ser lembrado (por qualquer coisa, mesmo aparecer no BBB, ou criar um tópico inútil), é justamente aí que reside o perigo. E quando (e isso é raro), o único objetivo é o enriquecimento pessoal, ou o enriquecimento dos seus, a reprodução dos seus valores? Haveria preço para isto? Assim, imaginei o menino matutino como o Jesus pequenino que, na ânsia de ajudar, acabou com um martelo pregando coisas medievais e mentirosas.

P.s.: peço perdão às mulheres pelo uso excessivo do masculino, por acaso, nasci homem.
Mulheres, no chifre, são vítimas; os homens, culpados.


#Fz!

"Eu estou"


Quando pensamos no caos interno que nos governa e que nos impulsiona universo afora, uma pergunta surge inevitavelmente. Por quê? Com que objetivo? Essa expressão é traduzida, na linguagem popular, para “Qual o sentido da vida?”. Nietzsche chamou a esse desejo de conhecer, vontade de verdade. Todo indivíduo erige para si um conjunto de valores que ininterruptamente o definem enquanto Ser, e aí encerra sua verdade. Sou cristão, sou socialista, sou ambientalista, sou bactéria, sou anarquista, ou, o mais comum, sou capitalista. O leitor, no momento em que lê este texto, analisa o que eu escrevo e compara a sua visão de mundo. Se gostar do texto, provavelmente criará meios de vinculá-lo à sua própria realidade. Se não, buscará meios, a partir daquilo que considera “verdade”, de criticar meu escrito. Em probabilidade, partindo dessas duas premissas, eu teria cem por cento de chance de obter “verdade” sobre o conjunto de meus leitores.

Assim, todo ser humano tem necessidade de verdade. Hoje, considera-se “verdade” o conhecimento científico. Outrora, era o conhecimento religioso que detinha o caráter de verdade. Em suma, verdade, lato sensu, é o reflexo daquilo que uma sociedade caracteriza como sendo seu “bem maior”. Um conhecido músico brasileiro, Tom Zé, relatou que seu avó, ao ver o Sputnik conquistar o espaço, pontuou: “É o fim do capitalismo”. Infere-se daí que o velho acreditou que era o fim da era do capital (HOBSBAWN), da verdade do capital, ou seja, da verdade vigente. O velho pode até ter errado em sua previsão, porém, a partir de sua frase, podemos perceber como um sistema dito indelével é frágil. Naquele dia, sabe-se, americanos em pânico escondiam-se em seus abrigos nucleares, corriam aos supermercados para fazerem provisões ou mesmo dirigiam-se à Igreja mais próxima, esperando um ataque russo do tipo “Star Wars”.

George Orwell, num episódio análogo, causou um pandemônio em NY ao ler trechos adaptados do seu livro “A guerra dos Mundos” ao vivo no rádio. Dois acontecimentos “banais” que ilustram bem quão frágeis são nossas “verdades”. Se o leitor ainda não estiver convencido, peço que retorne à Era Jurássica, bem no dia da queda do meteoro, no México, que extinguiu os grandes répteis. Um antigo desenho animado derivado do filme “De volta para o futuro”, certa vez, lembro, visitou este dia fatídico. A visão de um meteoro daquela monta vindo em sua direção é uma experiência aterradora e bastante reveladora: FUDEMO-NOS! Utilizando argumentos bem mais refinados, Nietzsche procurou demonstrar que a verdade, strictu sensu, nada mais é que uma ilusão. A verdade seria, afirma ele, a maior das nossas ilusões.

Hoje não podemos asseverar que a menor distância entre dois pontos é uma reta, ou o que são precisamente os números primos. Um professor da UFAC vai ainda mais longe. Ele diz: “quem é que me prova que 4 dividido por 2 é realmente 2:” Os nerds da computação já perceberam há algum tempo que há apenas duas “verdades” matemáticas: 0 e 1. Ser ou não ser. Sim e não. True and False. Os números binários são hoje a plataforma, na acepção ampla do termo, de todo nosso conhecimento. Desde o computador no qual digito, até a energia elétrica que o alimenta, tudo está nas mãos dos benditos (ou malditos?) binários. No Google, que substitui nossa “intuição”, na Wikipédia, que substitui nossa “inteligência”; no míssil que chega e aniquila, ou no governo que chega e tiraniza, ou mesmo na Banda Deja vu, lá estão os binários. As ferramentas vão remodelando a modernidade.

Diz-se que certa vez um interlocutor pediu a Sócrates que lhe dissesse uma verdade. O gênio retrucou: Que é a verdade? Os tiroteios nas escolas, os professores enterrados nos quintais, os helicópteros da PM abatidos, os jovens negros executados, o Lula que não sabe de nada, nada mais são do que o reflexo desse mal estar em relação a uma modernidade órfã de verdades (ou valores?) absolutas. Não que tenhamos inventado a violência, pois a Inquisição espanhola me desmentiria, longe disso. Nós, pelo contrário, a banalizamos. Observo, en passant, comentários sobre crimes hediondos e não percebo mais aquele “ar” de indignação. O que percebo, pelo contrário, é um medo mesclado com a certeza da inépcia dos poderes públicos. “Tem que apodrecer na cadeia”, “tem mais é que matar”, “a salvação é mudar a legislação”, etc. Essas cenas macabras e cada vez mais corriqueiras do cotidiano nos lembram diuturnamente a morte e sua inevitabilidade, esta sim um fato. Ao pensar na morte, e agora fecho o ciclo, pensamos, por associação, no sentido da vida. E aí atribuímos “nosso” sentido à vida, sequiosos de ilusão que estamos.

Gastamos mais tempo significando nossa vida do que propriamente vivendo-a. Começamos por um nome, depois um sobrenome. Então, a certa idade, dão-nos um número, cadastrando-nos. Escola, faculdade, cursos profissionalizantes. Depois, para participar da sociedade propriamente dita - a capitalista - vamos a seus multiplicadores (bancos, comércios, administradoras de cartões, etc.) e efetuamos negócios. O termo negócio (do grego) significa “negação do ócio”, da criatividade do ócio mais precisamente. Para os gregos o ócio não era necessariamente algo ruim, pois é nesse período que exercitamos o logos, daí denominarem os mercantilistas, pejorativamente, negociantes, ou seja, negadores do ócio. Hoje é atribuído ao negociante um significado inversamente proporcional ao dos gregos e, parafraseando Dinho Ouro Preto, “a gente se perde no meio de tanto medo de não conseguir dinheiro para comprar sem se vender”.

A vida moderna, alicerçada sobre os valores contemporâneos, transformou-se numa selva repleta de meias-verdades misturadas a mentiras inteiras. E a temperatura aumentando, “O Infalível” à irresponsabilidade exortando, o Edir Macedo relinchando, O Lula viajando, o clima mudando e ninguém ligando. Este é o país dos “caras” (o velho e infalível apelo à vaidade, o negão sabe!), elogio que nos custou bilhões para o FMI e um bocado de propina para os excelentíssimos. Este é o país dos,“eu não fiz nada”, “eu não sei de nada”, “homens incomuns”, “calotes governamentais”, “cuecas e maletas pretas”, “chacinas mil”, onde o brasileiro amiúde exclama, tal qual o impagável Macunaíma*: AI, QUE PREGUIÇA!

• Mário de Andrade. O disposto acima se aplica também a quem inicia leitura pelo final do texto e o que é pior, acha que entende, como um dos que me laureou, nesta mesma paty comunidade, com o seguinte comentário: EU NÃO LI O LIVRO, MAS ENTENDO (...) o restante é irrisório.


#Fz!

A Revista Veja


Bom, sempre começo meus textos falando um pouco sobre meus hábitos para daí partir para uma análise mais geral da condição humana. Eu gosto de pensar que a Revista Veja é apenas uma versão mais refinada da capricho ou, no cenário internacional, da blablah. Ou seja, uma revista de fofocas. Nada contra as revistas de fofocas, pois como eu mesmo disse, às vezes gosto de ler. Não é à toa que Shakespeare, profundo conhecedor da natureza humana, disse que havia algo de pobre no reino da Dinamarca. Imagino a angústia dos que desesperadamente procuram entender a qual sujidade ele se referia (ou a qual farei alusão).

Em suma, a curiosidade sobre a vida alheia é um negócio bastante rentável nos dias de hoje e é basicamente onde essas revistas e jornais angariam seus fundos. Deputado estupra funcionária pública, “beba coca”. Ex-marido de Alessandra Negrini, Otto, é visto chapado em festa de ricaço, “beba Pepsi” (CQC). E dá ibope, vende! Joyce, autor da única obra a ter um dia mundial, o Bloomsday, de maneira impagável escreveu: “O espelho rachado de uma criada (...) o símbolo da arte irlandesa”. Eu, reles mortal, diria apenas: o crucifixo pendurado à cabeceira da cama, um símbolo da cultura acreana.

Ops, mataram o que matou o matado. Tome cuidado. Já li, revi, revivi,. O que ocorre por aqui? Tem tribo isolada por ali, do helicóptero eu vi. A internet é só o ápice, fofoca em tempo real. Redes de relacionamento, sexo entre estudantes no Pará. Está tudo lá, é só comentar. Bola aí um spam, a próxima foto, o próximo vídeo. Devolve meu chip! Na Veja, devolve nosso dinheiro, senhor banqueiro. Daniel Dantas, o homem mais rico do país, sabe bem do que eu falo. E um milhão pro delegado. Nem só de moral ilibada se vive, na merda se põe a mão. Grampeia aí o ministro do supremo então, quero contar seus “capangas“, quero olhar por debaixo das mangas.

Pobre do delegado, foi para o PSOL mostrar a sordidez de nós todos. A dele que não respeita o direito humano alheio, nem como delegado, e tome sigilo quebrado. A dos juízes, que espetáculo dantesco, o negro tentando defender o brasileiro, o branco e sua corja dando-lhe um cala-a-boca, como sempre foi e continuará sendo por algum tempo. Ó, pai, ó! Deixe-me fofocar também, afinal de contas, não sou filho do além? O Renato Russo não entendia como um só deus era três, nem porquê os índios foram e ainda são mortos em seu nome, em nome do “mundo doente refletido no espelho” (rachado de uma criada?). Já dizia o serelepe Chefe Pontiac “eles chegaram com sua bíblia, seus deuses, e nós fomos morrendo”.

Até o Lula sabe disso. Pode não saber com essas palavras, até porque ele é meio analfabeto, assim duvido muito que seja assíduo leitor de Baudelaire (O lodaçal de macadame). Mas do seu jeitão povão, ele demonstra sua sapiência sobre o judiciário. Num comício ele deixou escapar que “deveria falar baixo para que os juízes não ouvissem”. E continuou erigindo e empurrando o colosso Dilma. Para o Lula a Dilma é “nossa” salvação. Quando digo nossa, entenda dele. Ela é a nossa salvação porque representa precisamente a vontade do povão que tanto o ama: o lulismo. É sua “infinita highway” (Engenheiros do Hawaii) para o pleito 2013;2014 e mais oito anos de Lula lá! Ele mesmo insinua quando diz que na Dilma podemos confiar. Oras, se diz isso é porque elle confia.

É uma pena que a Dilma vá perder. Adoraria vê-lo de volta para 2016 – o filho pródigo - presenciando todo espírito olímpico tupiniquim.

Antes que eu esqueça, os países ricos não estão mais tão ansiosos para combater o aquecimento global, pois dois economistas estão duvidando que ele exista. Verdade ou mentira: Ainda não li. Só sei que em Copenhagen está previsto o sepultamento de Kyoto. Essa é a fofoca científica do século, estamos ou não influenciando o clima do planeta! Mais dois do Green Peace foram presos e, apartidariamente, digo: se não tem aquecimento global porque não deixam os caras protestar tranquilamente: O Brasil já afirmou que a posição do governo federal é: ruralistas! À postos! Vamos derrubar! Porque a conta dessa bosta não seremos nós a pagar. E comam transgênicos! (a coca é opcional).

O líder do PT na câmara, em entrevista ao Roda Viva, fazendo um mea-culpa danado, concordou que o apoio de Lula era o pilar de sustentação de Dilma. Para fofocar um pouco sobre o deputado, penso que todos acharam que foi o primeiro homem no mundo a justificar corrupção partidária com a história do universo: “olha, você tem que entender que há milhões e milhões de anos atrás” (!!!). Mundo estranho. Há algo de podre no Reino do PT, a Família Mendes é prova disso. Está aí a prova de que dinheiro não dá em árvore, a não ser que seja na árvore da corrupção. Chora, Chico Rei seringueiro! Agora você tem motivos para chorar!


#Fz!


Psicologia do Esquema

(texto para aprovação no vestibular 2009)

Palco das mais diversas canalhices, a política brasileira remete-nos ao absurdo inexorável. Hoje nem mesmo a série de denúncias publicadas parece aplacar a roubalheira indiscriminada. São ranários, sanguessugas, mensaleiros. Rouba-se tudo. Somos regidos pela batuta da psicologia do esquema, da vantagem ilícita como meio para atingir determinado fim (1).

Atualmente, honestidade confunde-se com palermice, reputação ilibada, com moral deturpada. Chegamos ao ridículo de compor “pérolas” do tipo “rouba, mas faz viaduto” (2), vindas diretamente da popular sapiência. Cada vez que dólares são encontrados nas cuecas parlamentares, aumenta mais o clima de descrença na política nacional.

A imprensa, quando se refere ao Congresso Nacional, associa-o, pejorativamente, ao termo “Balcão de Negócios” (3). São inúmeros os lobistas prontos a oferecer aos nossos políticos as mais diversas vantagens. Prostitutas de luxo, carros importados, viagens para congressos fictícios, vale tudo (4). Nossa mentalidade política ainda é bastante retrógrada (5).

As perspectivas são sombrias, pois agora que terminou a farra de capitais e a crise financeira atingiu em cheio a economia globa (6)l, os bilhões que desapareceram no ralo da corrupção farão muita falta (7). Os poucos que se atrevem a denunciar essa dura realidade são geralmente expoentes da arte e das letras, todavia, sua voz perde-se amiúde no vácuo da ignorância.

Um famoso grupo de R.A.P. (sigla do inglês que significa Ritmo e Poesia), que se autodenomina “Racionais”, escreveu em uma de suas composições, cujo nome é “Mágico de Oz”, o seguinte: “A polícia, o governo no Brasil quem não rouba? Ele (um menino negro e pobre da periferia paulista, personagem central da música) só não tem diploma para roubar”(8). Este, parece-me, é o triste retrato de um povo sem consciência política e social.

Notas do autor.
1. No caso, o lulismo.
2. Referência à Maluf.
3. O filho do Lula que o diga.
4. Tudo mesmo! Até tocar fogo em bandido e mandar sua equipe de reportagem filmar!
5. Quando reli, teria trocado o termo por colonial.
6. Esta redação foi escrita em 2009, vide hoje a situação Grécia e Portugal, simplesmente falidos.
7. Uma pequena fatia do bolo (Tião pagando a conta da filhinha com nosso dinheiro)
8. (sobre o desvio de dinheiro nas contas da ufac)

#Fz!

Iracema Amazonense



Desiludido, vinha eu, quando nossas vidas colidiram. Ao sabor do swing caprichoso de um boi-bumbá, mesmerizado pelo teu balançado, minha dor evanesceu. O olhar de soslaio que me enviava e tua amiga sequer desconfiava. Eu te via bela, cabelo ao vento; tu me vias estranho, vindo de um lugar chamado desconhecido. Hipnotizava-a ao passo que capitulava. E quando, tépido, busquei libertar-me, aprisionaste-me, faceira, na maciez dos teus movimentos. No vai e vem da coreografia, nossos olhares acompanhavam o compasso da música. Cor de jambo, gosto de quero mais.

Fitamo-nos sempre e ficava cada vez mais claro o porvir: corridinhas espúrias, o arfar pecaminoso, a tesa tez. Como um arúspice, adivinhei nas tuas entranhas nossa sorte. As curvas simétricas do meu desejo viam em ti a realização de sua matemática. Disse-me o calor amazonense que era preciso a onça beber água. O doce néctar dos melífluos lábios de uma mulher para aplacar o mormaço. Arrefecer os indeléveis ardeurs da nossa vontade. E tu disseste sim; sim para água, sim para o beijo, sim para meus braços e meus abraços.

Tiveste o que queria, tomaste minha paz. Num turbilhão de dedos, sensores táteis, tu escrutavas meu ser. Teu recato, embebido de luxúria, dominava minha veleidade. Toma-me teu, mata-me agora, mas nunca parta. Não vá, Iracema amazonense, quede-se um pouco mais neste etéreo devaneio. Rijas mamas contra meu peito nu, deixa-me eternizar teu nome nesta ode a tua beleza; tatuá-lo em meu corpo, na minha alma. Ouviste meu coração partir? É por ti, por ti que a intransponível distância de nossas díspares existências roubou-me.

E o tempo sumiu. Busquei-o, este algoz fugidio como tu, mas escapou. Agarrei-me então à lembrança, como o carrapicho à calça, intentando a eternidade daquele momento. Congele! Pare! Abandone-me no fugaz presente, vida maldita, deixa-me estar aqui. Beija-me com força, suga-me ávida deveras, rebenta meu coração que bate descompassado. Meu nome é concupiscência; o teu, perfeição. Fui para sempre seu neste imortal instante que, lépido, apagou-se do presente. E cimentou, na memória, o inefável pesar da sua ausência; diuturno e dileto fantasma.


#Fz!

A militarfora ticotecoana


Naquilo que escrevo, derramo um pouco de tudo que há em mim. Com este espírito, caminhava num desses serviços estatais dos quais sou incumbido, quando, dialogando com meus pares, recordo Jô Soares. Perorava o Gordo: "durante o regime militar, as guarnições eram sempre compostas de três infantes; um sabia ler, outro, escrever, e um terceiro comandava esses dois gênios”.

É claro que ele não fazia qualquer referencia réproba em relação a milicianos de esquina, mas aos generais que conduziam nossa patria mãe gentil; a saber: General de Exército, Brigada e Divisão. Nietzsche, assim como o Gordo, sabia que militares não são forjados para governar, mas para guerrear. Ele mesmo, um militar, reconhecia a importância da vida nos moldes militares.

Quando comandar imiscui-se com governar – o que acontece amiúde – e  esses dois verbos confundem-se, o julgamento da história reserva seu mais ácido vilipêndio. Governar vidas não é tarefa para caserna.  Mas eis que num dia qualquer, Tico e Teco, CEO e Sub-CEO, respectivamente, num encontro estelar, parafraseando uma conversa entre louras, jaziam assombrados por uma inquietante dúvida:

Tico: Que fazer com esta noz estragada, será ela como a maçã podre do cesto? Meu sub-CEO estrelado, venha, UUU, resolver tamanha inquietação de minha alma!
Teco: Chama-me, ó Senhor dos Senhores? Sentes de teus escrotos brotar inquietante dúvida, laborioso mestre?
Tico: Vê, Teco, uma noz estragada, que fazer para que não infeste o cesto? Dize-me!
Teco: Mestre estelar, por que simplesmente não a lança fora?
Tico: Ó, brilhante efebo, que  majestosa conclusão, digna de um subordinado meu! Mas ainda assim temo lançá-la ao lixo...
Teco: Por que, honorável estrelado?
Tico: Pensa comigo: Não é depois de apodrecida a fruta que das sementes brota a vida? Ao lançá-la fora, descarto frondosa árvore que poderia advir de toda esta podridão...
Teco: Ora, então lança-a à lama, que é seu lugar agora.
Tico: Ó, brilhante sucessor, enalteces ainda mais meu cargo!

Tico buscou então o primeiro lamaçal e lançou a noz podre para que pudesse gerar frondosa árvore. Ao executar a ação, vê um transeunte e exorta: 'vê, acabo de lançar esta noz podre à lama, para que possa brotar frondosa árvore'.

O transeunte retruca:
Serviste apenas de ponte, pobre de espírito. Uma ponte esburacada. Pois se tivesses cuidado-a, mais cedo prodigalizaria seus frutos! Vê, em tua ignorância atinavas ter feito o bem, todavia, nada fizeste além de servir de ponte esburacada.

Mas quem és tu, ó, estranho, que fala com tamanha eloqüência – argüiu Tico - pois dentre meus subordinados, todos concordavam que era o mais adequado a fazer.

Eu sou o juiz da História, sou Zaratustra, sou aquele que enfim livrar-te-á da tua miserabilidade estelar.

Tico sai então, rindo de si para si, sem atinar que o estranho vira em sua aura estelar aquilo que realmente era: uma ponte esburacada.


#Fz!

Boleiro, burro, Bruno.



Quando me perguntam jocosamente "para o que vc não tem resposta?", retruco: para a paixão, a paixão é inexplicável e irracional. Ato contínuo o interlocutor,  sendo curioso, perora: e qual (ou quais) sua paixão? A reposta é sempre a mesma: O Flamengo. A única coisa realmente irracional que há em mim acontece quando o time de Zico, Adílio, Júnior, como cantou D2, entra em campo. "Serei Flamengo mesmo que o manto sagrado desbote". Tal qual aqueles torcedores de times grandes de outrora e à beira da falência agora.
Minha geração, por sua vez, compreende mais a de Júnior e seus famigerados 3 gols, já com mais de 40, numa eliminatória contra o Palmeiras. Aquela do `mantos dos mantos`, segundo Nelson Rodrigues, um tricolor. Neste momento lembrei do menino que "queria ser" (do ensaio Bons motivos para não se eu). Um Bruno. "Tem a malícia que cada esquina deu" (racionais). "Sentado à beira de uma calcada seria eu dando adeus a mim mesmo". Bruno brilharia em Brasil 2014. Quem entende o mínimo de futebol não tem dúvida sobre a assertiva. O cara `pegava` muito.
Mas era burro. De pedra. Não tinha o conhecimento acadêmico, catedrático. Era preto e careca num Brasil que flerta com o branco da pele e amarelo do cabelo. Contudo, nos dizeres de um colega: Não existe homem nem feio, nem belo, mas pobre. Um tanto machista, concordo; contudo, completamente errado? Eis uma pergunta. E Bruno, o goleiro jamais campeão numa possível idilica final contra os franceses (cuspo no chão!), ou argentinos (escarro agora!), num maracanaço feliz, conheceu a resposta. Dê dinheiro e poder a um homem e conheça-o. Olá, prazer, sou Bruno, burro e boleiro. E boleiro que é boleiro (Neymar que o diga), gosta de uma Maria chuteira.
E Marias chuteiras, mulheres vulgares (racionais), loiras burras (Gabriel "O Pensador": Como dizem os racionais...), há aos montes.  Viagem para Europa? (Racionais), enfim, uma atriz pornô conquistou o coraçãozinho do Bruninho. Conquistaria qualquer um que a "visse" em ação (Bruno viu DEPOIS...). E como reza o ditado, o último a saber, é precisamente o enganado. Então meu Jorge do Có falou ao ouvido: "Ela vai me pagar por me fazer de idiota e meus amigos rirem da 'mãe do meu futuro filho'". A entrevista do Léo Moura foi chocante para os que lêem nas entrelinhas. Foi a entrevista de alguém que sabia o que se passava, vivenciou nas conversas de corredores o "frigir dos ovos".
Se eu pudesse encontrar o meu ídolo da irracionalidade (minha e dele!) perguntaria somente: "Velho, tava bom lá na hora, caralho?". Woody Alen traduziu de maneira diferente: O homem não tem sangue suficiente para pensar com as duas cabeças ao mesmo tempo. Ou, no dizer dos vovozinhos, 'ver o que ele lançou fora por uma rameira'. Enfim, escutei um grito agora, era meu Jorge do Co novamente: "HÁ UMA LINHA MUITO TÊNUE QUE SEPARA POBRES COITADOS DE MONSTROS ASSASSINOS". Bruno cruzou-a.


#Fz!